As blogoferas brasileiras vão bem, obrigada

Categoria(s) do post: Websfera

Semana passada a Bia Granja publicou um artigo que agitou blogueiros e blogueiras: O que aconteceu com a blogosfera brasileira? O debate gerado a partir daí é importante e necessário – e a gente até já tinha pincelado aqui no Metablog algumas questões levantadas a respeito, veja só. :D Não está sabendo o que rolou e quer se atualizar? Está atualizado e quer saber o que nós achamos? Então vem cá que hoje é dia de refletir sobre o que estamos fazendo na tal “blogosfera brasileira”.

Pra começar, vamos combinar que não existe uma blogosfera brasileira e sim muitas. Cada nicho é uma blogosfera: de moda, maquiagem, gastronomia, turismo, fotografia, humor, cinema, séries de tv, literatura, etc. Isso posto, se você ainda não leu o artigo da Bia Granja, precisa ler agora para entender a conversa: O que aconteceu com a blogosfera brasileira? Pronto? Então vamos em frente.

Concordo com a Bia em alguns pontos, em outros concordo em parte, mas em uma questão discordo completamente: com o surgimento dos youtubers os blogueiros tiveram que se reinventar e os mais inteligentes migraram da produção textual para os vídeos. Desculpa aí, mas meu conceito de inteligência é outro. Nesse caso específico, inteligência é saber escolher e usar as ferramentas mais adequadas aos seus objetivos – que talvez não sejam os vídeos! Já falamos sobre isso aqui no Metablog: YouTube é para todo mundo? Pois é, não é. Não é todo mundo que tem as habilidades necessárias para produzir vídeos de qualidade, assim como também não é todo público que prefere vídeos aos textos. E aí migrar para os vídeos é exatamente o oposto de inteligência, concorda?

Além dessa discordância, tem a questão da resistência. E aí a Lucia Freitas e o Manoel Netto falaram lindamente sobre isso e eu concordo com eles em tudo. Corre ver o post da Lucia – O que aconteceu com a blogosfera brasileira? – e do Manoel Netto – Nós somos a resistência. Para mim, a própria Lucia também é resistência, assim como o Alexandre Inagaki, o André Marmota e tantos outros. Porque blogam “desde sempre” e por prazer, independente dos ganhos financeiros obtidos (ou não) com seus blogs, independente de terem se tornado (ou não) webcelebrities.

E o que sustenta a resistência frente a tantas outras redes e ferramentas que surgem? Blogar por amor. Claro que ganhar dinheiro com blogs não é errado, quem não gosta de ganhar dinheiro fazendo o que lhe dá prazer? Só que a grana não é a motivação para que estes bravos blogueiros continuem mantendo seus blogs. É o oposto: se a motivação fosse financeira, provavelmente já teriam mudado de plataforma e pulariam de uma em uma para estarem sempre naquela que é a moda mais rentável do momento. Quem não bloga por prazer não resiste, não persiste. O Marmota tem um post lindo sobre blogar por dinheiro ou por prazer: Blog-moleque e post-arte não ganha campeonato?

E voltando ao debate levantado graças ao post da Bia Granja, mais alguns posts ótimos para você ler:

  1. O que vai ser da blogosfera brasileira?, do Marmota.
  2. A blogosfera morreu, viva a blogosfera – um texto sobre um texto sobre um texto, da Simone Miletic.
  3. Blogs estão com os dias contados? Velho debate, mesma resposta, do Rodrigo Ghedin.
  4. A opinião da blogosfera sobre o que aconteceu com a blogosfera, da própria Bia Granja com um apanhado de comentários surgidos com a repercussão do texto inicial dela.

Esse post está cheio de links para você ler e refletir, além da minha opinião sobre o assunto. Agora é sua vez. O que você concluiu desse debate todo sobre a trajetória das blogosferas brasileiras? Quem e o quê é a resistência para você? O que você leva em conta na hora de mensurar o sucesso de um blog?

4 comentários

  1. Nalu comentou:

    Oi!
    Blogo há 6 anos. Lembro que, quando comecei, não notava essa coisa de blogar para ganhar dinheiro. Acho que eu não notava porque era mais nova, enfim. Hoje, vejo que tem MUITA gente querendo ganhar dinheiro postando de qualquer jeito. Para mim, blogar tem que ser uma coisa que se faz com amor. Caso contrário, do que adianta manter um blog? Gostei da sua posição e vou ler os textos que você recomendou. Acho importante tratas desse assunto.
    Beijos,
    Nalu
    http://coisasafiins.blogspot.com

    1. Nalu, como sempre digo, na minha opinião não há nada de errado em ganhar dinheiro blogando. Porém, antes de pensar em monetização é preciso blogar por prazer, do contrário não haverá motivação para que o blog persista e tenha qualidade até que esteja em condições de ser monetizado. Fico feliz que tenha gostado do post. :)

  2. Quando essa discussão surgiu por causa do texto da Bia, eu estava comemorando os dez anos de um dos meus blogues. Pensei em que blogues estavam morrendo e quais os motivos, daí falar que a blogosfera brasileira estava morrendo soou um grande disparate, assim como quando li a coluna do Pedro Dória, semanas mais tarde dizendo que a blogosfera mundial estava morrendo e a justificativa era a de que um blogueiro bam bam bam tinha deixado de blogar… mentira! Ele deixou de publicar no blogue para publicar em um portal, mas mesmo assim, pq uns morrem, não quer dizer que toda a blogosfera está enfraquecida.
    Assim como a vida, as palavras se reciclam, pq a forma de pensar muda. Pensar nos blogues no formato antigo já era! Podemos ser diarinho, mas usando de toda a tecnologia e ferramentas que atualmente dispomos.
    Lógico que fiz uma postagem sobre o assunto, assim como vários blogueiros do grupo rotarrots… Se a pauta foi uma alternativa para a falta de assunto, gerou bastante assunto blogosfera afora.
    Beijus,

    1. Luma, apesar de eu discordar da Bia em alguns pontos, como coloquei no meu post, acho que esse debate foi bem importante. Além do episódio ter mostrado que a blogosfera não morreu, ainda propiciou textos e reflexões ótimas sobre o assunto. Teve casos, por exemplo, em que blogueiros mais novatos, que só sabiam dos blogs mais famosos do momento, acabaram conhecendo mais excelentes blogs mantidos pelos blogueiros da resistência. E isso é lindo pra quem está na blogosfera “desde sempre”, né? :)

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