Quero ter um blog, por onde eu começo?

Categoria(s) do post: Planejando seu blog

Você vê blogs lindos web afora, seus amigos compartilham links de sites bacanas no Twitter e Facebook, você assina o feed de blogs cujos conteúdos gosta de acompanhar. E aí fica sonhando em ter um blog bonito, interessante e com boa visitação, mas não sabe por onde começar. O post de hoje é o primeiro de uma série sobre como criar um blog, desde os passos mais básicos ao momento em que seu blog efetivamente entra no ar. Vamos lá?

Provavelmente você já sabe que a vida de blogueiros envolve muita dedicação, trabalho e estudo. Claro que ficamos super ansiosos para ver nosso blog novinho no ar, com um tema lindo, mas é importante dar um passo de cada vez – ou corremos o risco de ter um blog belíssimo, mas que não atende nossas necessidades e objetivos. Por isso é preciso, antes de tudo, planejar. Com exceção do primeiro ponto elencado abaixo, os demais não precisam necessariamente serem feitos na ordem que coloco aqui, mas é importante que você resolva cada um dos itens. Sugiro que você mantenha perto algo para fazer anotações: pode ser no computador em algum aplicativo de sua preferência ou mesmo no Google Docs, pode ser no celular, pode ser com o bom e velho papel – o importante é que você vá registrando todos os pontos mais relevantes durante o processo de planejamento.

1. Conteúdo/Assunto

Sobre o que você quer escrever? Deve ser algo que você goste muito, do contrário acabará se cansando do blog rapidamente. E além de conhecer o assunto também é preciso disposição para aprender mais sobre, afinal sempre há novidades em todas as áreas – se não houver abertura para continuar pesquisando e aprendendo, logo seu blog se tornará obsoleto. Costuma-se recomendar que o blog trate de apenas um assunto, em outras palavras, que ele seja de nicho. Para fins de monetização realmente blogs de nicho são melhores, no entanto prefiro deixar o blogueiro livre para escolher se quer um blog especializado ou de variedades – gosto de levar em conta que é ele que vai escrever, portanto só ele pode saber quais as condições nas quais se sentirá motivado a continuar escrevendo com frequência.

2. Blogs similares

Eu poderia ter usado o termo “concorrentes”, mas a verdade é que a menos que você esteja vendendo produtos ou serviços, não há exatamente concorrência. Se você deseja falar sobre cinema, por exemplo, outros blogs sobre cinema não precisam ser concorrentes, afinal os leitores podem ser fiel ao seu blog e aos outros ao mesmo tempo. De todo modo, você entendeu a questão: é preciso conhecer outros blogs que tratam do mesmo assunto que você planeja escrever. Mas conhecer não é apenas saber que existe: é ler, dedicar um tempo em cada blog visitando as páginas estáticas, lendo posts, analisando categorias e tags, observando detalhes do tema. De preferência assine o feed e acompanhe estes blogs. Se você optou por blog de variedades e não de nicho, tudo bem: procure blogs de variedades e faça o mesmo trabalho que faria se fossem de nicho.

3. Vantagens e desvantagens

Depois de estudar um pouco os blogs similares você já tem condições de começar a identificar quais as vantagens e desvantagens que seu blog tem com relação aos outros. Exemplos de pontos que podem se tornar vantagens ou desvantagens: frequência de atualização, uso da norma culta da língua portuguesa, layout adequado ao conteúdo e que favoreça a permanência do leitor no site, algo que você pode oferecer aos leitores e os outros blogs não oferecem (ou o contrário), etc.

4. Licença de uso

Antes de decidir que não vai permitir a cópia de uma linha sequer do seu blog, por favor, conheça a diferença entre Direito Autoral e as licenças de uso. Nós do xCake acreditamos que o conteúdo deve ser compartilhado, por isso usamos uma licença Creative Commons que permite a cópia e distribuição desde que respeitadas algumas condições. De modo geral sempre incentivamos que licenças assim sejam adotadas, as exceções são os casos nos quais o seu conteúdo é o trabalho que você fez para alguém – por exemplo, é claro que se você é fotógrafo realmente não pode liberar o uso de fotografias feitas de outras pessoas, ou se é cabelereiro também não pode nem mesmo expor fotos dos cortes das clientes sem que elas autorizem a publicação da imagem (muito menos poderiam liberar o uso destas fotos por outras pessoas).

5. Público

Qual é o perfil de leitores que você deseja? Ele pode ser dividido em gênero ou faixa etária? Você deseja alcançar pessoas ou empresas? Se forem empresas, de qual porte? Caso você já tenha um blog e esteja fazendo uma reformulação geral ou mesmo apenas um tema novo: o público que você atinge hoje é o público que você deseja atingir ou está alcançando o público errado? Onde está o público que você deseja? Do que ele gosta e do que não gosta? Que “língua” ele fala (gírias? Linguagem técnica? Português rebuscado?)? Quanto mais características você identificar sobre seu público, melhor.

6. Estatísticas

Essa é para blogs já existentes que estão passando por repaginação. Se você já usa o Analytics você tem informações muito valiosas: quais as páginas que mantém os leitores por mais tempo? Quais são as páginas abandonadas mais rapidamente? Suas visitas vêm mais de mecanismos de buscas ou de sites de referência? Quais sites de referência? Quais palavras- chaves são usadas nos mecanismos de busca para chegarem até seu blog? O Analytics lhe fornece os dados, as métricas, agora você deve interpreta-las para saber quais são os pontos fortes e fracos, quais assuntos seus leitores mais apreciam, quais ferramentas são mais interessantes para divulgar seu blog, etc.

Essas são as questões que sempre levanto com quem me procura precisando de suporte para planejar um blog. É a partir destes pontos que o blog começa a sair da abstração para ter meios de tomar forma. Digamos que, nessa fase que tratamos neste post, você começou a cuidar do conteúdo que seu blog terá. No próximo post veremos de que forma esse conteúdo será melhor apresentado e divulgado. Talvez você resolva as etapas hoje descritas em duas semanas, talvez precise de dois meses. O tempo não vai depender só do quanto você se dedicar a isso, mas também do próprio mercado: se há muitos bons blogs similares, claro que precisará de mais tempo para estuda-los; se o público for peculiar você também precisa de mais tempo observando-o e pesquisando-o.

Pra finalizar, mais uma dica: seja qual for seu método preferido de fazer anotações, não saia de casa sem levar junto algum gadget ou caderno/agenda onde possa fazer anotações. Processos criativos muitas vezes funcionam assim: você pesquisa, pensa, estuda, pesquisa mais um pouco, reflete, estuda, analisa, pesquisa mais e assim vai até ter a sensação de que não há mais nada a ser pesquisado, que não há informação que você já não tenha lido a respeito. E aí você já leu tudo, colheu e analisou dados, mas não teve nenhuma ideia significativa para a próxima etapa: como apresentar meu conteúdo, destaca-lo e divulga-lo? Experimente deixar isso de lado e fazer outra coisa. Faça um café, arrisque uma receita nova no jantar, assista um filme ou seriado, faça uma caminhada. Os insights virão quando você menos esperar – durante a faculdade eu costumava ter as melhores ideias quando estava quase pegando no sono e então eu pulava da cama correndo antes que o insight sumisse. Quando você começar a ter esses “estalos” é porque está, naturalmente, entrando na segunda parte do planejamento do seu blog. =)

Leia também: Quero ter um blog – Parte II.