Oito dicas básicas de redação.

Categoria(s) do post: Produção de conteúdo

Muitas vezes falamos que “fulano tem talento para escrita”. Será mesmo que é algo nato? Ou é uma qualidade que foi desenvolvida, trabalhada? Honestamente não conheço ninguém que escreva bem e que não tenha determinados hábitos – hábitos estes que contarei neste post. Como dizia um dos meus professores na faculdade, apenas 5% é inspiração na hora de escrever, os outros 95% são transpiração.

1. Leia

É clichê falar isso? Pode ser, mas é fato: quanto mais lemos, melhor escrevemos. Então não importa se é clichê, importa colocar em prática. Se você lê textos escritos corretamente, acaba por assimilar vários bons usos gramaticais sem nem perceber. Além de, é claro, enriquecer seu vocabulário.

2. Enxugue o texto

Corte tudo que for desnecessário, como, por exemplo, artigos. Claro, nem todos podem ser eliminados, mas corte-os sempre que não forem imprescindíveis para o entendimento da frase. Ex.: “Conversei com o meu amigo” x “Conversei com meu amigo”. Como em Português os verbos são conjugados, podemos facilmente cortar os sujeitos das frases também, pois só a conjugação verbal permite entender o sentido da frase – exemplo: “eu escrevi” x “escrevi”.

Evite as frases muito longas, use vírgulas e pontos finais. Ao invés de uma frase de três linhas, releia e reescreva transformando-a em duas ou três frases.

Honestamente desconfio quando dizem que as pessoas não leem textos longos, mas textos longos nem sempre significam informação, certo? Se ele for longo porque está cheio de palavras desnecessárias e com frases muito longas, acaba por se tornar confuso e cansativo – e aí as pessoas não lerão até o final mesmo.

3. Escreva corretamente

Isso não significa escrever rebuscado/difícil, mas saber pontuação, conjugação e concordância verbal, acentuação, etc. Estude, pesquise, consulte o dicionário. O Houaiss é para assinantes UOL, mas há muitos outros dicionários online, tenha-os sempre ao rápido alcance do mouse. Um blog sobre Língua Portuguesa muito bacana que eu gosto de acompanhar é o Curso Gratuito de Português, tenho-o em meu GReader e procuro ler todos os posts.

4. Use sinônimos

Repetição de palavras deixa o texto cansativo, difícil de ler até o final. Lembro-me de um blog com conteúdo que me interessa (gatos, sou apaixonada por eles!): os posts eram bem informativos, bem fundamentados, mas a palavra “gato” estava em absolutamente todas as linhas, às vezes até mais. Resultado: acabei por cancelar a inscrição no Reader logo nos primeiros posts porque a leitura era maçante.

5. Beba de várias fontes

Segundo o Houaiss, repertório, no sentido figurado, significa conjunto de conhecimentos. Quanto melhor for seu repertório, melhores serão seus textos ou qualquer outro trabalho que você desenvolva: músicas, fotos, vídeos, etc. Isso vale tanto para leituras (você já sabe usar os feeds para otimizar e enriquecer repertório através da web, mas é claro que materiais impressos também são importantes) quanto para filmes, músicas, seriados, quadrinhos, etc.

Mas não adianta muito ficar sempre com os mesmos, é preciso diversificar: procure conhecer bandas e cantores novos, arrisque novos gêneros do cinema, busque novos assuntos. Mesmo que seja para concluir que não gostou de tudo que conheceu, com o passar do tempo você sentirá uma diferença significativa no seu repertório.

6. Faça anotações

Pode ser no celular ou mesmo com os bons e velhos lápis e papel, o importante é ter sempre à mão algum lugar onde anotar suas ideias. Tudo bem se ela ainda for muito superficial: anote e depois poderá pesquisar mais sobre o assunto.

7. Escreva

Mesmo que você não publique o texto, escreva. É assim que você vai eliminar os vícios de escrita, assimilar a norma culta da Língua Portuguesa (grafia, acentuação, pontuação, etc.), adquirir desenvoltura e autoconfiança.

8. Cada leitor é único

Ainda que você tenha centenas ou mesmo milhares de acessos diários no seu blog, cada leitor é único. Para sentir isso no seu texto, você precisa escrever diretamente a cada um deles. Como? Escrevendo no singular: “comente” ao invés de “comentem”, por exemplo. Faça o teste lendo textos que foram escritos no plural “(“vocês, leitores”) e compare com textos escritos no singular (“você, leitor”) e depois conte aqui com qual dos textos você se sentiu mais envolvido, em qual deles sentiu como se o autor estivesse falando diretamente com você.

É claro que estas dicas não esgotam o assunto, mas acredito serem essenciais para uma boa produção textual. Elas podem parecer básicas, mas pense comigo: se não cumprirmos nem o básico, como daremos conta de técnicas mais elaboradas? ;)

Bônus: publicou com erro? Não se desespere, volte e corrija assim que identificar o erro. Acontece com todo mundo e, se você costuma sempre escrever corretamente, seus leitores saberão que seu erro não foi por descaso ou desinteresse com a Língua Portuguesa. Além disso, em tempos de adaptação às novas normas advindas da Reforma Ortográfica, mesmo o melhor escritor pode acabar confundindo alguma coisa. Eu ainda estou tentando me adaptar; e você, já conseguiu assimilar todas as mudanças e escreve sem precisar consultar a “cola”? =D

13 comentários

  1. Renato comentou:

    Olá. eu q sempre quis escrever mas nunca me organizava pra começar, fiquei bem mais animado com essas dicas. Valeu. E até março… hehehehe

    1. Oi, Rê!

      Viu o post em que falo sobre o Google Reader? O Reader ajuda e muito a vida de blogueiros: além de facilitar pra acompanhar metablogs, que nos ensinam a blogar, também tem todos os benefícios que a leitura de qualquer assunto oferece.

      E é claro que vale nos perguntar e sugerir pautas pra gente escrever aqui no blog, é só enviar pelo formulário de contato ou nos comentários. =)

      Vem em março então? Vai passar meu aniversário comigo? =D

  2. Rafael Marley comentou:

    Uma dificuldade que tenho encontrado é inserir, sem artificialidade, as palavras-chave no meio do post.

    1. Oi, Rafael.

      Claro que o uso de palavras-chave ajudam, mas como falei no outro comentário, o mais importante mesmo é o conteúdo. Entre um post que fique meio mal costurado com palavras forçadas no meio x postagens com mais frequência com textos bem construídos, os textos melhores produzidos trazem mais resultados. Se a atualização puder ser diária, melhor ainda! :)

  3. Meu Ponto de vista.
    Li e novamente li seu post e comentários e conclui que é bem interessante. No entanto conheço diversos professores e leitores, formadores de opinião que através de uma breve pesquisa particular deduzi que como cada escritor é peculiar, cada leitor também é mediante ao favoritismo por um tipo de leitura ou por ponto de vista conveniente.
    Certa vez decidi a tentar provar-me minha tese fazendo o seguinte.Apresentei uma única redação com um tema que não me recordo a quatro pessoas, sendo que dos quatro, três deles professores e um leitor nato. A resposta era esperada como uma avaliação de 0 a 10 em que 2 deles me deram 10, um me avaliou com um 6 e e o outro repudiou-me com 3 ou 4 não lembro ao certo. Em função disso caracterizando de uma forma técnica, seja para um blog, tirinhas, estudos, ou de maneira profissional é somente uma questão de gosto ou ponto de vista conveniente.Em breves palavras, é isso.
    Me responda por e-mail, gostaria muito de saber sua opinião.
    att: Leonardo Vieira Xavier.

    1. Olá, Leonardo.

      Se você observar, todas as dicas desse post servem para quase todo tipo de texto – excluem-se os que usam de licença poética. As oito dicas podem ser usadas inclusive para trabalhos acadêmicos, incluindo TCCs. Mesmo assim, é claro que nem todo leitor obrigatoriamente vá gostar.

      Explico: nem todo mundo está no target do conteúdo. Eu não gosto de futebol, por exemplo, portanto qualquer texto sobre qualquer coisa que envolva futebol provavelmente será uma leitura chata para mim – mas isso não significa que o texto é ruim ou mal escrito. Na verdade isso vale para qualquer coisa: não é porque eu não gosto de determinada banda/perfume/estação do ano/qualquer coisa que é ruim, é apenas meu gosto pessoal, não uma análise técnica.

      O importante é você conhecer o público que deseja atingir, para assim falar de conteúdos que lhes interessem e também que estilo de escrita eles apreciam. Textos sóbrios ou divertidos? Longos ou curtos? Lembrando que texto enxuto não é necessariamente sinônimo de texto curto: um texto pode ser enxuto, mas ter muita informação, do mesmo modo que um texto pode ser longo e mesmo assim ser superficial.

      As dicas do post tratam da forma como o conteúdo é apresentado, não sobre o conteúdo em si. Você contou seu pequeno teste, vou contar um pequeno “causo”. Na graduação de Publicidade e Propaganda temos Psicologia e nosso professor dessa disciplina não costumava passar provas, nosso desafio com ele era escrever em uma única lauda todo conteúdo do bimestre. Como sempre me saí bem com textos e tenho um interesse imenso por psicanálise (o professor era psicanalista), eu tinha facilidade para fazer os trabalhos, o que não acontecia com o restante da turma. No final do ano vários alunos me pediram ajuda com suas laudas, pois precisavam de muita nota e fui bem clara: eu reviso os textos (a forma), mas não altero nada do conteúdo. Trabalhos entregues, quando as notas foram lançadas os colegas que ajudei me escreveram agradecendo, tudo certo. Encerrado o ano letivo ainda fui para a faculdade devolver livros na biblioteca e encontrei o professor de Psicologia, paramos para conversar. Eu tinha na bolsa o trabalho original de uma das minhas colegas, pedi que ele lesse e desse uma nota: “3,00. no máximo 4,00, com muita boa vontade”. Aí a “ficha” dele caiu, ele me olhou erguendo as sobrancelhas e perguntou quanto ele tinha dado naquele trabalho depois da minha revisão: 9,5. Eu não havia alterado nada do conteúdo, trabalhei exclusivamente sobre a forma que o conteúdo foi apresentado.

      É disso que essas dicas tratam: da forma, não do conteúdo. E elas funcionam – se não funcionassem, você acha que a publicidade ainda usaria essas técnicas em todo conteúdo publicitário e/ou propagandístico? ;)

      1. Compreendido fora. Também com uma explicação dessas e dificilmente admitiria mas, concordo plenamente.

        1. Leonardo, nós apenas compartilhamos o que aprendemos. E muitas vezes nós do xCake também aprendemos trocando ideias em caixas de comentários. ;)

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